O oftalmologista pediátrico é o médico especializado em diagnosticar e tratar doenças oculares em crianças, do recém-nascido ao adolescente. A primeira avaliação acontece ainda na maternidade (teste do olhinho), com retornos aos 6 meses, aos 3 anos (antes da entrada na escola) e a cada 1–2 anos durante a infância. Buscar um oftalmopediatra precocemente é decisivo: condições como ambliopia (olho preguiçoso), estrabismo e erros refrativos têm janela de tratamento que se fecha por volta dos 7–8 anos.
O que faz um oftalmologista pediátrico?
Diferente do oftalmologista geral, o oftalmopediatra tem treinamento específico em desenvolvimento visual, técnicas de exame em crianças que ainda não falam ou cooperam pouco, e tratamento de condições próprias da infância (catarata congênita, glaucoma congênito, retinopatia da prematuridade, estrabismo). É também o profissional ideal para acompanhar crianças com necessidades especiais. Veja nossa página de oftalmopediatria.
Quando levar a criança ao oftalmologista pediátrico
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) recomenda o calendário oftalmológico infantil abaixo:
Recém-nascido — Teste do olhinho
Realizado ainda na maternidade, nas primeiras 72 horas de vida. É um teste simples (reflexo vermelho com oftalmoscópio) que detecta catarata congênita, glaucoma congênito, retinoblastoma e outras alterações estruturais. Em prematuros, deve haver avaliação adicional para retinopatia da prematuridade.
6 a 12 meses
Avaliação do desenvolvimento visual. Verificação de alinhamento ocular, fixação visual, motilidade, reflexo pupilar e teste de Bruckner.
3 anos
Primeiro exame mais completo, com medida de acuidade visual usando figuras adaptadas. Essencial para detectar ambliopia (olho preguiçoso) e estrabismo em fase tratável.
6 anos (antes da alfabetização)
Avaliação refrativa (miopia, hipermetropia, astigmatismo) e da função binocular. Problemas visuais nessa idade impactam diretamente o aprendizado.
Anual, dos 7 aos 18 anos
Acompanhamento da progressão refrativa, especialmente em crianças com miopia (em crescimento mundial), e da saúde ocular geral.
Sinais de alerta que pedem consulta imediata
Independente da idade, leve seu filho ao oftalmologista pediátrico se notar:
- Reflexo branco em fotos com flash (pode indicar retinoblastoma — tumor ocular).
- Olhos desalinhados (um olho “vira” para dentro, para fora, para cima ou para baixo).
- Lacrimejamento constante sem chorar.
- Secreção ocular persistente em recém-nascido (pode ser obstrução do canal lacrimal).
- Sensibilidade exagerada à luz.
- Pálpebra caída cobrindo parte da pupila.
- Pupila de cor ou tamanho diferente entre os dois olhos.
- Criança que aproxima muito o rosto da TV, do tablet ou dos cadernos.
- Inclinação da cabeça para um lado para enxergar.
- Olhar trêmulo (nistagmo).
- Olho vermelho com dor, fotofobia ou secreção esverdeada.
- Trauma ocular de qualquer intensidade.
- Queixas escolares: dor de cabeça frequente, baixo rendimento, dificuldade para copiar do quadro.
As condições oftalmológicas mais comuns na infância
Ambliopia (olho preguiçoso)
Redução da acuidade visual em um olho que nunca “aprendeu” a enxergar adequadamente — geralmente porque tinha grau alto, estrabismo ou catarata na primeira infância. O cérebro ignora a imagem deste olho. Tratamento com oclusão (tampão) do olho “bom”, forçando o olho preguiçoso a trabalhar. A janela ideal é até os 7–8 anos; após essa idade, o tratamento é menos eficaz.
Estrabismo
Desalinhamento dos olhos. Pode ser convergente (“olho virado para dentro”), divergente (“para fora”) ou vertical. Causa frequente de ambliopia se não tratado. O tratamento pode ser óculos, oclusão, exercícios ortópticos, toxina botulínica ou cirurgia. Veja nosso post sobre se o estrabismo tem cura.
Erros refrativos
Miopia, hipermetropia e astigmatismo. A hipermetropia leve é normal nos primeiros anos de vida e regride espontaneamente. A miopia tem aumentado mundialmente em crianças e adolescentes, associada ao uso intenso de telas e menor exposição à luz natural. Tratamento: óculos e, em casos selecionados, lentes de contato ou colírios de atropina em baixa concentração para controle de progressão.
Conjuntivite e obstrução do canal lacrimal
Conjuntivite em crianças costuma ser viral (em surtos escolares) ou bacteriana. Em recém-nascidos com olho lacrimejando persistentemente, a causa mais comum é obstrução do ducto lácrimo-nasal — em geral resolve com massagem específica até os 12 meses; se persistir, pode requerer sondagem.
Catarata congênita
Rara mas grave. Quando presente em ambos os olhos, a cirurgia precisa ser feita nas primeiras semanas de vida para não comprometer o desenvolvimento visual. Veja: catarata congênita em bebês.
Glaucoma congênito
Aumento da pressão intraocular no recém-nascido ou lactente. Sinais: olhos grandes (buftalmia), córneas opacificadas, lacrimejamento intenso e fotofobia. Exige tratamento cirúrgico precoce.
Como é a consulta oftalmológica infantil?
Adaptada a cada faixa etária:
- Recém-nascidos e lactentes: exame com instrumentos próprios, sem teste de acuidade convencional. Avaliamos reflexos, motilidade e fundoscopia.
- Pré-escolares (2–5 anos): uso de figuras (tabela de Lea ou tabela com desenhos) para medir acuidade visual. Brincadeira faz parte do exame.
- Escolares e adolescentes: exame similar ao adulto, com a tabela tradicional de letras.
Em quase todas as primeiras consultas usamos colírios para dilatar a pupila e medir o grau real (cicloplegia) — sem dilatação, crianças “forçam o foco” e o grau não fica preciso. A dilatação dura 4–8 horas.
Convênios para oftalmologia pediátrica
Os principais convênios do Rio de Janeiro cobrem consulta e exames oftalmológicos infantis, sem necessidade de encaminhamento na maioria dos casos. Verifique os convênios atendidos pela Oftalmo Città — Bradesco Saúde, Hapvida, Notredame, Assim e outros.
Atendimento pediátrico na Barra da Tijuca
Na unidade do Shopping Città America oferecemos consulta oftalmopediátrica em ambiente preparado para crianças.
Perguntas frequentes
Qual a idade certa para a primeira consulta oftalmológica?
Recém-nascido (teste do olhinho na maternidade), reavaliação aos 6 meses, exame mais completo aos 3 anos e antes da alfabetização (5–6 anos). Antes dessas idades, qualquer sinal de alerta justifica consulta imediata.
Criança que vê bem precisa ir ao oftalmologista?
Sim. Vários problemas oftalmológicos infantis (ambliopia, estrabismo intermitente, hipermetropia alta) podem passar despercebidos pela família. A criança pode não saber que enxerga mal — para ela, aquilo é o normal.
Posso usar colírio infantil sem receita?
Não. Mesmo colírios “naturais” e lubrificantes podem mascarar quadros graves ou alterar diagnósticos. Em crianças, todo colírio deve ser prescrito por oftalmologista.
Excesso de tela faz a criança ficar míope?
A relação não é direta com a tela em si, mas com o tempo prolongado em atividades de visão de perto e a redução do tempo ao ar livre. Crianças que passam pelo menos 2 horas diárias em luz natural têm menos miopia, segundo metanálises recentes.
Tampão no olho funciona mesmo?
Sim. Oclusão do olho dominante é o tratamento padrão para ambliopia, com eficácia comprovada em quase todos os casos quando iniciada antes dos 7–8 anos. O período de uso diário é ajustado pelo oftalmopediatra (geralmente 2–6 horas por dia, por meses).
Criança com olho vermelho: pediatra ou oftalmopediatra?
Olho vermelho leve, sem dor, com remela e em vigência de gripe ou contato com outra criança com conjuntivite pode ser avaliado pelo pediatra. Olho vermelho com dor, fotofobia, lesão por trauma ou em recém-nascido deve ir direto ao oftalmologista pediátrico.

